E então saio de casa em direção ao Engenhão. Objetivo? Ir atrás do título brasileiro.
A ida ao Engenhão foi tranquila. E no meio do caminho, um momento único e especial. O ônibus do Vasco passou por nós enquanto nos dirigíamos ao estádio. Um daqueles momentos mágicos que só torcedor que vai ao estádio para apoiar consegue entender. Eu, Jonatas, sua irmã e Hugo paramos no meio do caminho. Começamos a bater palmas ao time e acompanhamos até o estádio. No início tinham poucos e estava tranquilo. Mas conforme nos aproximávamos do destino, a massa aumentava e então foi um grupo louco e alucinado cantando, pulando e incentivando o time. Um sentimento único.
Falar sobre o jogo é irrelevante. Assistam um VT do jogo se quiserem saber como foi o jogo. Mas a torcida… A torcida, meu amigo, isso é algo que merece falar, e o que vou falar é pouco perto do que merece.
Cantamos o tempo inteiro. Sem parar. Apoiamos o time incondicionalmente. Vaia? Nenhuma. Reclamação com o time? Nenhuma. Era uma massa apaixonada apoiando o time não importa quais sejam as consequências. Quando a torcida rival vinha gritar, logo era abafada. E sem gritos de “Vai tomar no cu” ou xingamentos a eles. Eram os grito que “tremem adversário e a terra”: VAAAAAAAAAAAAASCOOOOOOOOOOOOOOO!
Mas vamos ser sinceros. Na hora do gol dos rivais eles cantaram mais. Qualquer um que vai a estádio sabe que no Brasil é um momento em que o time que toma gol sente e fica calado por um tempo. Mas bastou cinco minutos, e voltamos ao normal, ao que era antes.
O jogo se aproximava do final. Era coisa de 44 do segundo tempo. Já se podia dizer que o sonho do título estava acabado. E a torcida rival, doida para provocar, começou aquele canto idiota. Esperavam uma resposta, que caíssemos na pilha.
Mas amigo, aqui é Vasco. a reação ninguém esperava. A torcida inteira começa a cantar. A cantar mais forte que cantamos o jogo inteiro. Exorcizamos todos os demônios. E não cantávamos provocando nada ou ninguém. Nosso canto era para demonstrar nosso amor ao clube. Ao Club de Regatas Vasco da Gama.
Cantamos alto e sem parar. O jogo acabou. Palmas para o time. E cantos, cantos e cantos. Com direito a um momento que sempre me deixa arrepiado: Ola seguido de grito de VAAAAAAAAAASCOOOOOOOOOOO! Paramos de cantar após uns 15 minutos do fim do jogo. Mais ou menos 20 minutos de cantos. A torcida não tinha ido embora ainda. Os rivais já estavam no caminho de casa. Nós ainda cantávamos o nosso amor ao clube.
Você não entendeu o motivo? Meu amigo, se você não entendeu, provavelmente não ama seu clube o suficiente, não se preocupa com ele o bastante para entender. Mas vou tentar explicar o motivo.
Celebrávamos o reerguimento do Vasco. Em 2009 o Vasco retornou à série A. Mas um time gigante como o Vasco ainda não estava completamente reerguido. Faltava uma coisa. E a coisa aconteceu esse ano. O Gigante da Colina voltou a jogar para disputar títulos. Eu fico puto em ver o Vasco jogar campeonato para terminar em 7, 8 lugar. Meu irmão! Temos que disputar o título! Sempre! Vaga na Libertadores? Isso é brinde pro título! Vaga na libertadores se esquece, título fica imortalizado.
E voltamos a disputar. A Copa do Brasil tirou uma seca de 8 anos sem títulos relevantes. E, diferentemente de vários outros times que pensam pequeno, fomos pra cima de mais títulos. O Brasileirão e a Sulamericana eram metas. Faltou perna, o time cansou, enfrentamos adversários mais descansados e de alta qualidade. E tivemos jogos heroicos onde nossos jogadores colocaram o coração na ponta das chuteiras para defender a cruz de malta. Fomos até o fim e infelizmente o título não veio. Como o Felipe brilhantemente disse, “A possibilidade de ser vice é o preço que se paga por jogar para ser campeão.”
O Vasco voltou a jogar para ser campeão. Uns vices virão, umas eliminações no meio do caminho virão. Mas junto virão as glórias e os títulos. É isso que voltou. E por isso cantamos e celebramos nosso amor ao Vasco. Cantamos porque o gigante se reegueu, e azar para os adversários.
Obviamente estamos tristes. Qualquer um está triste, queríamos o título e não conseguimos. Mas como também brilhantemente disse Rica Perrone, estamos tristes mas não putos. E por que deveríamos estar putos? Parabéns ao Corinthians. Time regular que sempre esteve disputando a ponta e merecidamente levantou o caneco. Agora, vamos corrigir nossos erros do ano, vamos reforçar o elenco. Ano que vem tem libertadores. Vamos continuar o sentimento e ir atrás de mais glórias. O time quer isso. A torcida quer isso.
Pai Santana nos disse que o ano de sua morte seria um ano de títulos para o Vasco, grandes contratações e a saudade dele. Títulos, no plural. E ele acertou. Temos dois títulos: a Copa do Brasil e o reerguimento do Gigante. E a saudade, obviamente será eterna.
P.S. – Provavelmente quem leu até o final é vascaíno. Se você não é vascaíno e está lendo até aqui doido pra dar uma sacaneada ou provocação, infelizmente saiba que a sua provocação não vai me fazer cair na pilha. Mas como todos sabem, eu gosto de usar meus comentários como minha ditadura particular, e piadinhas serão apagadas. Aqui é um espaço para vascaínos ou quem queira conversar.











